quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

hipocrisia

sejamos honestos: não há uma só alma que se salve do purgatório, nessa lixeira que insistimos em chamar de sociedade... somos por bem impuros ou indignos... humanidade deshumana, tal como o emprego dessa palavra para desqualificar alguns dinos e dignificar a grande falha que somos...

não, não... faz tempo que tudo se perdeu... há tempos nos acomodamos em receber "ordens supremas"... uma acomodação nada sadia, que só se quebra por questões totalmente individualistas... o senso de sermos se perdeu, só há lugar para ser... para o que pretendo parecer ser... e somos, de uma forma errada...

é triste ver como hoje se julga o amor, enquanto se qualifica a guerra... se marginaliza o sentimento e se diviniza a dor alheia... se apedreja o inimigo que se declara e se louva o inimigo que se esconde... por trás da batina? do terno italiano? passou do ponto...

tão perverso pensar que os maias estavam errados... queria que estivessem certos... já deu o que tinha pra dar e, ao mesmo tempo, nunca deu nada certo... o mundo sempre foi desse jeito... só que agora todos parecem ter perdido o controle... se é que já houve um tempo de paz... se é que já houve humanidade?

e é assim, as pessoas se movem dizendo que o outro está errado... o povo só se une pelo ódio, não pelo amor... talvez por isso não o compreendam... "lhes dê um inimigo comum e eles estarão juntos", me dizem... e eu tento, tento mesmo, fingir que não é verdade... mas é assim que acontece... foi assim com o negro, depois com a mulher, então com o judeu... e, agora, com o AMOR?! só porque não é o tipo convencional e enlatado que nos empurraram goela abaixo por séculos?... faça-me o favor...

é aí que me pergunto... como ter fé? se essa, que devia nos unir, só faz nos separar? ela nos ensina a inferiorizar, julgar, querer mal... condenar!?... meu, foda-se todo esse preconceito... fodam-se os preconceituosos... isso não vai longe, mas é triste pensa que, quando eles perderem, vai levar muito pouco até que declarem o próximo inimigo... e por quê?!