enquanto danço, alucinado, me perco nos passos... timboleio, quase caio... falta de ensaio, talvez? acho que eu é que sou desajeitado... talvez não saiba dançar como deveria... mas percebo que não sou o único... tanta gente se esconde por trás de máscaras... esse não era um baile de máscaras, ou era? como sempre, parece que era o único que não sabia que para viver tem que dançar disfarçado...
tão estranho perceber que não reconheço meus parceiros de valsa... e que horríveis máscaras estão trajando... sei lá, isso não era pra ser o carnaval de veneza... a vida?
o que você esconde? porque, sim, você está escondendo o jogo... me fazendo de bobo... maldito bobo da corte... mas a natureza do teu jogo me enloquece... não tem como explicar, é um sentimento único, uma mistura de dúvidas que me martelam, na mais singela inconstância que me preenche, e de certezas que me parecem tão... sei lá... contingentes...
sim, talvez seja sua máscara que me deixe assim... não consigo decifrar o que se passa aí atrás... isso me dá medo mas, sei lá, ao mesmo tempo o seu jeito, o modo como você me faz sentir congela minha mente... meus sentidos... é estranho, suicida... mágico...
observo ao longe... cuidadoso, enquanto o rei discursa, e todos seguem suas danças entrelaças em busca de um destino... e o relógio badala... meia-noite... aquela garota corre, desesperada, e eu me pergunto o motivo... não por muito tempo... as máscaras começam a cair... vou conhecer a realidade? talvez eu entenda se as máscaras eram realmente necessárias... quero te conhecer de verdade...