Será que me perdi no caminho? Deixei os momentos infelizes – pássaros imundos – comerem as migalhas que conduziam a mim mesmo? Sim? Não?
Concorde (não há como discordar)... andava tudo tão mecânico, automático... quem éramos? Certamente não Orfeu e Eurídice... longe disso... éramos dois bonecos de pano derrotados pelas traças do tempo... dois bonecos desarmados, com medo do mundo e de nós mesmos.
Quem o tempo pensa que é? Te digo quem ele é: um estúpido... quais as suas ambições sádicas? Afastar... derrubar... acabar? Oh, não... Mas, oh sim, obrigado tempo... pois graças a ti algo mudou aqui (ali, naquele lugar)... e sabe que mudou?! NADA...
É bem assim... alucino eu ao perceber que nada mudou e que, exatamente por isso, tudo está completamente diferente?... afinal, o problema era eu... por que escondia de mim o que sentia por ti?... ou será escondia de ti o que sentia por mim?... Minha mente me tortura... tuas unhas me incendeiam...
Não podia ter sido diferente?