Na realidade, os Ateus enfrentam, hoje, o preconceito da
maioria absoluta da população brasileira. Pesquisas demonstram que o
grupo de ateus é mais odiado que o de ex-presidiários, drogados e homossexuais,
em todos os sentidos. Não é que defenda o ódio a esses grupos, longe de mim, sempre
fui um defensor extremo de todo grupo oprimido, basta olhar minha vasta
participação em conflitos online defendendo quem precisava ser defendido. Mas o fato não é esse... isso tudo é enrolação...
O ponto chave é o seguinte: como se pode perceber, não tolero ver participantes de um grupo oprimido, que sempre usou dos argumentos de liberdade de expressão para impor seus ideais à sociedade (por vezes, de modo que exclui grosseiramente o direito de outros, inclusive religiosos) queira agora dar “lição de moral” a um grupo que apenas inicia sua jornada para “fora do armário”.
O ponto chave é o seguinte: como se pode perceber, não tolero ver participantes de um grupo oprimido, que sempre usou dos argumentos de liberdade de expressão para impor seus ideais à sociedade (por vezes, de modo que exclui grosseiramente o direito de outros, inclusive religiosos) queira agora dar “lição de moral” a um grupo que apenas inicia sua jornada para “fora do armário”.
Li alguns comentários, nos últimos dias, que me colocaram a
pensar: o que faz com que alguns grupos achem que sua causa é, em qualquer
sentido, mais importante que as demais? Que são as únicas vítimas de
preconceito social? Posar de coitadinho diante da sociedade é, realmente, muito
fácil, quando se ganha a companhia da grande asa da mídia para apoiar a ideologia (
mas não se engane queridinho, porque eles não gostam de você de verdade, só
descobriram que seu grupinho é bem lucrativo).
Não reclamo dos comentários, acho lindo o que conseguimos conquistar no que se refere à liberdade de
expressão, principalmente no meio digital. O que é, pois, uma rede social, se não o eco, o
brado pulsante da sociedade? O que é se não o reflexo das idealizações fora
desta? Não se pode excluir ou negar, nesses espaços, as ideias e lutas que
acontecem do lado de fora. Aliás, não só vemos esses reflexos, mas participamos
deles, nas acaloradas discussões sobre as cotas (nesse assunto, vejo tanto
racismo), sobre o governo (nesse, tanta ignorância), sobre as questões do
dia-a-dia (e seus julgamentos) e, recentemente, na honrada luta dos movimentos
LGBT pela aceitação do grupo e na luta contra a homofobia (que gera as mais diversas
reações). Ora pois, diga-me então o porquê dessa iminente necessidade de abafar
as discussões sobre crença ou a falta desta?
Diferente do que alguns dizem, essas questões ideológicas,
longe de terem sido devidamente discutidas, têm sido abafadas por séculos.
Muitos morreram por questionarem e outros ainda sofrem, são presos ou assassinados (basta acompanhar as notícias dos últimos dias) pela simples coragem de
assumirem que têm dúvidas sobre a existência desse “ser imaginário”. Intolerância?
Devemos nos aquietar só porquê ainda não existe um termo bonitinho pra falar
sobre ela, quando se refere a Ateus? Isso não seria egoísmo da sua parte?
Sim, porque deixa eu falar, sabe o que tenho visto? Vejo uns
que julgam o Ateu por não desejar um “Deus seja louvado” nas notas públicas de nosso
país laico, mas condenam outdoors de uma instituição PRIVADA que dizem que “Deus
criou o homem e a mulher, em defesa da família”, sob a mesma prerrogativa. Não
toleram as “tirinhas irônicas” dos Ateus, mas ironizam as figuras sagradas das
mesmas instituições em suas manifestações. Hipocrisia? Torço para que seja mera
ignorância, falta de um pouco de luz intelectual.
É, como já disse, sempre defendi todos os grupos oprimidos
pois, bem como nós, sabem o que é o preconceito e sabem o que é ter de tolerar
a intolerância. Continuarei fazendo isso, mas vou pensar melhor antes de
defender alguns grupos que, diante da atenção social, no lugar de simbolizarem
a vitória sobre a opressão, parecem estar se voltando contra os que ainda não o
alcançaram. Deprimente.
Agora, quanto a redes sociais. Realmente, minha vida é um
livro fechado para elas. Acho que elas devem ser muito mais do que um espaço de
fofocas, elas devem desempenhar um papel social, devem ser agentes nas
mobilizações, nas lutas dos grupos. Não costumo ficar perguntando sobre a vida
de ninguém, tampouco vais me ver falando tão abertamente sobre a minha. Aliás,
não acho nem um pouco elegante ou inteligente ficar expondo o meu dia-a-dia em
um espaço tão público, pois já é fato conhecido que todas essas informações têm
sido comercializadas com seus futuros empregadores. Entendo, contudo, e não julgo o fato de que algumas
pessoas gostarem de usar esses espaços para “tricotar”. Sua vida, contudo, essa sim tem pouco significado para mim.